São oito títulos mundiais de surf na categoria masculino em pouco mais de uma década. O único surfista a desafiar uma hegemonia fantástica dos surfistas brasileiros foi o prodígio havaiano John John Florence, com três canecos (2016\2017\2024). Yago Dora trouxe a cobiçada taça de volta pra casa em 2025. Esta matéria, texto e fotos, são do blog do Reinaldo Andraus, lenda do jornalismo de surfe brasileiro. Confira https://surfdragonblog.blogspot.com/
O TROFÉU DA WSL FOI REESTILIZADO A PARTIR DE 2015
YAGO DORA, GLÓRIA – NAS ILHAS FIJI
Quando Gabriel Medina venceu em 2014 a taça ainda era a tradicional dos tempos da ASP. O novo troféu que homenageia o havaiano Duke Kahanamoku foi adotado na era da WSL, que assumiu o circuito a partir de 2015. Na sequência vieram títulos de Adriano de Souza, Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e agora Yago.

O PRIMEIRO TROFÉU DE GABRIEL
FOTO DE SEBASTIAN ROJAS NO ÍNDICE DO VOLUME 1 DE
“A GRANDE HISTÓRIA DO SURF BRASILEIRO”
Esta postagem é para comemorar o título do catarinense Yago Dora, entre milhares de fotografias acessíveis na internet essa que recolhi do seu Instagram em 2015 é uma das minhas preferidas. Ela representa ao mesmo tempo a estética e o comprometimento no surf de Yago. Sombras da sutileza de Lopez e do ataque power de Tom Carroll.

YAGO DORA PIPELINE. FOTO: JULES
No dia 9 de setembro de 2025, menos de uma semana após sua conquista, Yago compareceu à sede da cerveja Heineken na capital paulista para conceder uma entrevista coletiva para a imprensa, estava lotado. Um de seus patrocinadores é a cerveja Praya, criada por surfistas brazucas, adotada pelo poderoso grupo empresarial. A pequena imprensa especializada, que ainda persiste, e uma miríade de jornalistas do que antigamente, nós editores das revistas de surf chamávamos de “a grande imprensa” se espremia no espaço, sentada e de pé, para ver e ouvir este novo ídolo nacional.

FOTO QUE FIZ NO EVENTO. NA MESA E NA PRANCHA (VELHA DE GUERRAS) OS PATROCINADORES BUSCANDO ESPAÇO.
AO LADO DE YAGO A BELÍSSIMA TAÇA CONCEBIDA PELA WSL
O talento de Yago Dora já era notado pela mídia do surf há mais de uma década. Foi um processo de amadurecimento. Vamos tentar aqui em uma breve postagem contar pedaços da história de um garoto, filho de surfistas, que nasceu em Curitiba, mudou para Floripa muito novo, gostava de futebol, influenciou-se pelo skate, abraçou uma carreira de free surfer, tomou gosto pelas competições e se transformou no melhor surfista do mundo.

CAPA DA REVISTA HARDCORE EM 2015
UMA QUESTÃO GERACIONAL
Uma década antes de seu título Yago começou a ganhar notoriedade, inclusive internacional, ao participar do vídeo Psychic Migrations, ao lado de novos e promissores surfistas. Não havia o peso, nem o compromisso de participar de competições.
Naquele ano de 2015 o pai de Yago acompanhava Adriano de Souza como “coach” em sua temporada rumo ao merecido título. O jovem filho estava de camarote, envolvido na segunda trajetória vencedora para o surf brasileiro. Daí para frente foi mais um passo, ou 10 passos (anos) em que aflorou o gosto por competir e desabrochou esta excelência, indiscutível, atingida em 2025.

YAGO COM O PAI LEANDRO DORA
Conheci ele como Leandro Breda nos anos 1990, codinome Grilo, um dos mais destacados surfistas do Paraná naquele tempo em que eu trabalhava na revista Hardcore. O nome de Leandro figurava entre finalistas de campeonatos naquele estado. Grilo, viajando junto com meu grande brother Júlio Adler chegou a ficar hospedado em meu apartamento do Guarujá, quando vinha competir em eventos da Abrasp.
Yago ainda não havia nascido, tínhamos a oportunidade de conversar muito sobre técnicas de surf, competição, revistas. Na ocasião de campeonatos em Pitangueiras, sempre hospedei muitos amigos, surfistas profissionais, que vinham surfar nos eventos em meu estado natal. Tanto no caso de Leandro, como de Julinho, era possível perceber que além do talento no surf, tinham uma visão peculiar da evolução do esporte. De até onde… o “nosso” Brasil poderia chegar? Chegou!
